
Promoção de competências sociais e emocionais em contexto escolar: o papel das lideranças escolares
A promoção efetiva de competências sociais e emocionais em contexto escolar está dependente de inúmeros fatores. Proporcionar às crianças e jovens oportunidades de treino e reflexão sobre as suas competências exige às comunidades educativas: a oferta de intervenções ajustadas às características das crianças e/ou jovens a quem se destinam, e de qualidade, i.e., garantindo-se, por exemplo, que a equipa envolvida na intervenção se preparou previamente para a implementação, e/ou que reúne regulamente para refletir sobre o processo de implementação ajustando a intervenção aos resultados da sua monitorização; a capacidade de assegurar um ambiente positivo, onde o processo de aprendizagem socioemocional, individual e coletivo, se possa gradualmente desenvolver e consolidar.
Desta forma, a implementação de projetos de promoção de competências sociais e emocionais, acarreta inúmeros desafios: formação ainda insuficiente nestes domínios para professores e outros profissionais; recursos especializados reduzidos; gestão do tempo; dificuldade na monitorização/avaliação dos programas e dos seus resultados; eficácia no processo análise, reflexão e disseminação dos resultados obtidos, são algumas das barreiras mais comuns.
O investimento das lideranças escolares na busca de soluções para estes e outros desafios inerentes à dinâmica escolar é basilar para o sucesso de iniciativas como o ADN Socioemocional 2.0.
Conforme refere Baffsky e colegas (2023), as lideranças escolares têm um papel fundamental para impulsionar uma implementação eficaz de intervenções de promoção de competências sociais e emocionais. Um dos processos conduzido pelas lideranças escolares, destacado com maior frequência como elemento-chave para uma maior eficácia dos programas, é a criação de equipas de liderança da implementação. As lideranças escolares devem assegurar que as equipas são multisciplinares e multifacetadas, que estas beneficiam de tempos regulares para a reflexão sobre os projetos, e que têm a possibilidade de aceder a formação contínua (e.g., Thierry et al, 2023). Esta formação deve incluir o acesso a suporte sobre mecanismos de monitorização e avaliação, já estes vão proporcionar informação relevante sobre os aspetos que estão a facilitar ou a impedir o alcance dos resultados previstos com os programas em implementação (Elias, 2007). A quantidade e qualidade das intervenções proporcionadas aos alunos são alguns dos fatores sobre os quais importa refletir de forma consistente no decurso das intervenções (Durlak, 2016).
Para além dos aspetos de caracter processual e o seu próprio envolvimento e/ou proximidade com as equipas de implementação (Scaletta & Hughes,2022), revela-se também fundamental a adoção de medidas organizacionais que visem ampliar a visão sobre a importância, relevância e urgência de um foco no desenvolvimento de competências sociais e emocionais dos alunos. Neste domínio, existem já inúmeras evidências da importância da integração nos currículos escolares do desenvolvimento intencional e regular das competências sociais e emocionais (e.g. Blewitt et al, 2024)
Desmistificar crenças, compreender resistências para as poder mitigar, apostar no desenvolvimento das competências sociais emocionais da equipa docente e não docente, são fatores igualmente importantes para a obtenção de maiores níveis de sucesso (Freire et, al, 2012).
Considerando que as oportunidades de reflexão entre pares podem constituir-se também como um importante fator para ampliar a capacidade das lideranças escolares solucionarem os desafios inerentes à implementação destes programas no âmbito da iniciativa ADN Socioemocional de Sintra 2.0, realizaram-se duas sessões com os Diretores de Agrupamentos de Escolas do concelho.
As sessões, dinamizadas pela equipa do Iscte, e com a presença da equipa da Câmara Municipal de Sintra, proporcionaram às lideranças escolares presentes um conjunto de exercícios colaborativos. Estes exercícios visaram: (1) estimular um olhar detalhado sobre as intervenções em curso no âmbito da iniciativa; (2) estabelecer um ponto de situação sobre a amplitude da valorização da comunidade escolar das competências sociais e emocionais; (3) incentivar à definição de próximos passos de ação para uma maior efetividade e eficácia de cada AE no âmbito da iniciativa ADN Socioemocional.
Esta reflexão conjunta com as lideranças escolares permitiu continuar o trabalho de excelência na promoção de competências sociais e emocionais nas escolas de Sintra, assumindo o trabalho de qualidade nesta área como uma prioridade e como um exemplo para outros municípios.
Carla Colaço, Catarina Castro e Joana Alexandre
Investigadoras ADN Socioemocional das Escolas de Sintra 2.0
socioemosintra@gmail.com
Referências:
Baffsky, R., Ivers, R., Cullen, P., Wang, J., McGillivray, L., & Torok, M. (2023). Strategies for enhancing the implementation of universal mental health prevention programs in schools: A systematic review. Prevention Science, 24(2), 337–352. https://doi.org/ 10.1007/s11121-022-01434-9
Blewitt, C., Morris, H., Sun, Y., Gooey, M., Kirk, H., Bergmeier, H.J., & Skouteris, H. (2024). Does social and emotional learning intervention influence physiological and biological indicators? A systematic literature review of universal and targeted programs in Pre-K to grade 12. Social and Emotional Learning: Research, Practice, and Policy.
Freire, I., Bahia, s., Estrela, M. T., & Amaral, A. (2012). A dimensão emocional da docência: Contributo para a formação de professores. Revista Portuguesa de Pedagogia, 46-II, 151-172.
Thierry, K.L., Kim, T.E., Page, A., & Randall, H. (2023). School Leader Engagement in Strategies to Support Effective Implementation of an SEL Program. Social and Emotional Learning: Research, Practice, and Policy.