
A Monitorização de projetos de promoção de competências sociais e emocionais em contexto escolar
A monitorização nem sempre é percecionada como útil, informativa e fundamental para incrementar melhorias nas intervenções a decorrer nos mais variados contextos.
No entanto, a investigação tem vindo a demostrar que a monitorização da implementação de projetos de promoção de competências sociais e emocionais (CSE) é não só basilar, como a melhor forma de aferir informações precisas e preciosas acerca da intervenção. Mas em que consiste a monitorização destes projetos?
Mapear com detalhe a implementação dos programas/projetos/ações é fundamental para potenciar a reflexão sobre a sua eficácia, eficiência e necessidade de efetuar ajustes que permitam ultrapassar possíveis obstáculos identificados [1].
A investigação destaca cinco dimensões-chave da implementação que estão diretamente relacionadas com os resultados alcançados nas intervenções em CSE. Um olhar atento sobre a dosagem (quantidade e frequência da intervenção proporcionada), a fidelidade (cumprimento do programa), a adaptação (reformulações ao plano inicial), a responsividade (satisfação dos beneficiários) e a qualidade (capacidade de oferecer oportunidades únicas de transformação)[2] amplia a capacidade de refletir de forma profunda sobre o processo de implementação.
No ADN Socioemocional das Escolas de Sintra 2.0 percorremos um caminho em que a monitorização é encarada como um processo vital. É através da monitorização que as equipas que operacionalizam o Plano de Promoção das Competências Sociais e Emocionais em Contexto Escolar encontram, com fidelidade e rigor, as informações que lhes permitem tomar decisões fundamentais na sua caminhada.
A monitorização pode atuar, assim, como uma verdadeira bússola.
A análise de registos, de grelhas de observação e de feedbacks diversificados, devidamente adaptados às características específicas de cada intervenção, permitem identificar com clareza quais os fatores que devem ser cuidados por forma a potenciar o que está a ser oferecido às crianças e jovens, e/ou a outros elementos da comunidade escolar.
Como pudemos constatar nos relatos na primeira pessoa de facilitadores e equipas escolares, no passado dia 21 de setembro de 2023, no evento de Disseminação de Boas Práticas, a monitorização no âmbito do ADN Socioemocional das Escolas de Sintra 2.0 permitiu um olhar sobre o processo de implementação nunca antes explorado.
O desenvolvimento de competências sociais e emocionais das crianças e jovens é um processo tão complexo quanto fundamental, pelo que identificar que práticas, que fatores, que atividades o facilitam ou condicionam é verdadeiramente fulcral.
Espaços físicos com maiores potencialidades, integração de novos recursos humanos, co-facilitação das intervenções por parte dos professores que acolhem os projetos nas suas turmas, melhorias em algumas atividades lúdicas e integração de novas propostas, foram apenas alguns dos exemplos enunciados como tendo sido informações preciosas que surgiram da análise dos instrumentos de monitorização aplicados.
Terminado o primeiro ano, voltamos com cada equipa escolar e pegar na bússola. Esta bússola é especial porque não nos indica só os pontos cardeais, fornece todas as informações para escolher agora caminhos renovados.
Carla Colaço
Investigadora ADN Socioemocional das Escolas de Sintra 2.0
socioemosintra@gmail.com
[1] Durlak, J. A. (2016). Programme implementation in social and emotional learning: Basic issues and research findings. Cambridge Journal of Education, 46(3), 333–345. https://doi.org/10.1080/0305764X.2016.1142504
[2] Saber mais em: Alexandre, J., Barata, C., Castro, C., & Colaço, C. (2019). Manual para a Avaliação e Monitorização das Academias Gulbenkian do Conhecimento: Orientações iniciais. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal; Durlak, J. A. & DuPre, E. P., (2008). Implementation matters: a review of research on the influence of implementation on program outcomes and the factors affecting implementation. American Journal of Community Psychology, 41(3-4), 327-350. doi: 10.1007/s10464-008-9165-0